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A Pele na Fotografia e nas Artes Visuais: Uma Dermatografia da Nossa Identidade


Dentro do mundo das expressões artísticas, onde palavras, cores, texturas e sons contam inúmeras histórias, qual elemento se destacaria como o mais incógnito e revelador na arte da imagem? Essa honra certamente pertence a algo inesperadamente comum, porém profundamente complexo: a pele humana.



A pele na fotografia e nas artes visuais assume um papel duplo e fundamental: ela funciona tanto como um elemento que revela — um ornamento visual — quanto como um invólucro que oculta. Artistas inovadores contemporâneos, como Camille Brasselet, concebem a pele dessa maneira particular, numa dualidade que aprofunda nossa compreensão do tecido que recobre nosso corpo. Isso nos encoraja a explorar as camadas de significado e emoção que a pele pode expressar.



As marcas na pele, para além de serem características orgânicas, são vestígios do que vivemos. A sua interação com a luz — o modo como ela envolve cada curva e contorno, e a forma como as sombras se acomodam nas suas depressões e relevos realçam a narrativa corporal. Isso se torna um capítulo que fala da nossa história individual ao mesmo tempo que explora a forma como essas individualidades ressoam em um contexto mais amplo de experiências humanas compartilhadas.



A pele nas expressões visuais, nessa perspectiva, atua como um espelho complexo da persona, pois não se limita a refletir a individualidade biológica; transcende para radiografar o entrelaçado de experiências culturais, sociais e psicológicas de uma pessoa. Esse revestimento atua como símbolo criptografado que porta a essência de episódios experienciados.



Por outro lado, a pele como um envelope representa a capacidade de ocultar. Ela encerra o que está dentro, mantendo em segredo os aspectos mais íntimos e vulneráveis do ser. Na arte, essa noção se traduz em uma representação que respeita a privacidade e a profundidade dos sujeitos. A pele, vista então como um escudo, cria um senso de mistério e profundidade, convidando o espectador a ponderar sobre o que está velado sob a superfície visível.



Integrar esses dois aspectos da pele - como adorno e como envelope - exige uma compreensão sensível e intuitiva por parte do artista. É um equilíbrio entre mostrar o bastante para contar uma história e encobrir o suficiente para manter a intriga e o respeito pela subjetividade da pessoa.



Artistas que dominam essa dualidade, como Brasselet, criam obras que são visualmente ricas e emocionalmente complexas. Eles nos desafiam a ver além da superfície e a apreciar a pele não só como um elemento visual, mas também como um veículo de expressão profunda. Assim, a pele humana na arte se torna um meio para explorar temas de identidade, vulnerabilidade, força e a beleza intrínseca da nossa experiência existencial.



Escrito por Angela Rosana, saiba mais sobre mim aqui. Os créditos aos fotógrafos e artistas constam nas imagens, com links para os respectivos perfis no Instagram ou site. Se você gostou desse artigo, deixe sua avaliação ao final da página! Leia outros artigos aqui Visite nosso Instagram Publicação no Instagram em novembro de 2023


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